Com retaliação chinesa ao milho dos EUA, Brasil se torna alternativa competitiva para exportação, aponta consultoria

As cotações da soja, do milho e do trigo recuaram fortemente nesta terça-feira, após os Estados Unidos colocarem tarifas de 25% sobre as importações do México e do Canadá, e ampliarem para 20% a taxa sobre os produtos da China, desencadeando retaliações. 
Enquanto o governo canadense aplicou reciprocidade, implantando a mesma tarifa contra itens norte-americanos, o governo de Xi Jinping mirou o setor agrícola norte-americano, adicionando tarifa de 15% sobre frango, trigo, milho e algodão, enquanto sorgo, soja, carnes suína e bovina, produtos aquáticos, frutas, vegetais e laticínios serão taxados em mais 10%.

Diante do acirramento da guerra tarifária, os vencimentos da soja para março e maio caíram abaixo dos US$ 10,00 por bushel, com quedas de 1,40% e 1,29%, respectivamente. 

O milho também teve um dia de perdas. O contrato do cereal para março registrou baixa de 1,08%, fechando o pregão em US$ 4,35 o bushel. No caso do trigo, a queda foi mais intensa, caindo 2,49% no vencimento mais curto (março/25), a US$ 5,18 o bushel.

O consultor de mercado do Sistema Manancial, Aaron Edwards, explica que, embora a guerra comercial não seja o único fator de baixa do mercado agrícola, a medida intensificou o cenário fragilizado pela ampla oferta global. “Estamos com o mercado pressionado, o mercado que perdeu suporte no milho e soja, e certamente essa guerra comercial é parte dessa pauta”, afirma o especialista. 

Ele lembra que a soja já vinha registrando perdas devido à expectativa de safra recorde brasileira. Porém, segundo Edwards, o protagonista da atual rodada de ajustes no mercado agrícola é o milho, que, há cerca de duas semanas, começou a perder a sustentação e caiu quase 10% no período. “Então, nós vimos um gap, uma separação entre o preço do milho do Brasil e o preço do milho em Chicago, uma separação de uns 10% já até o fim da semana passada”. 

De acordo com o consultor, o contexto atual torna especialmente o milho brasileiro mais valorizado e atrativo para exportação. Entretanto, ele alerta que é uma situação para “acompanhar de perto”, pois a China e o México figuram entre os maiores compradores de milho dos Estados Unidos. E, enquanto Pequim anunciou tarifas de 15% sobre as importações do cereal norte-americano, o governo mexicano fará um pronunciamento somente no domingo, 9.